quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Do Amor





Certa vez, Kahailil Gibran levantou a cabeça e olhou para as pessoas, e o silêncio caiu sobre eles. E com uma voz podero-sa ele disse:

Quando o amor vos chamar, segue-o,

Apesar do seu caminho ser duro e íngreme.

E quando suas asas vos envolverem, abraçai-o, apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos.

E quando ele falar convosco, acreditai nele,

Apesar de sua voz poder esfacelar vossos sonhos como o vento norte arruína o jardim.

Pois mesmo quando o amor vos coroa, ele vos crucifica. Mesmo sendo para o vosso crescimento, ele também vos poda.

Mesmo quando ele chega à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que tremem ao sol,

Ele também desce até vossas raízes e abala a vossa ligação com a terra.

Como feixes de milho, ele vos une a si próprio.

Ele vos ceifa para desnudar-vos.

Ele retira vossas espigas.

Ele vos mói até ficardes brancos.

Ele vos amassa até ficardes moldáveis;

E depois ele vos designa ao seu fogo sagrado, para que vos torneis o pão sagrado do sagrado festim de Deus.

Todas essas coisas o amor fará convosco até que conheçais os segredos dos vossos corações e, através deste conhecimento, vos torneis fragmentos do coração da Vida.

Mas se, por medo, buscardes apenas a paz do amor e o prazer do amor,

É melhor que cubrais a vossa nudez e que passeis da eira do amor

Para o mundo sem estações, onde rireis, mas não todo o vosso riso, e chorareis, mas não todas as vossas lá-grimas.

O amor não dá nada além de si mesmo e não toma nada além de si mesmo.

O amor não possui nem é possuído;

Pois o amor é suficiente ao amor.

Quando vós amais, não deveis dizer: “Deus está no meu coração”, mas sim, “Estou no coração de Deus”.

E não pensais que podeis dirigir o curso do amor, pois o amor, se acuar que mereceis, dirige o vosso curso.

O amor não tem outro desejo além de satisfazer a si mesmo.

Mas se vós amais e precisais ter desejos, que sejam estes os vossos desejos:

Derreter e ser como um riacho que corre e canta sua melodia para a noite.

Conhecer a dor do carinho demasiado.

Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor;

E Sangrar por vossa própria vontade e com alegria.

Acordar ao amanhecer com o coração leve e agradecer por mais um dia de amor;

Descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor;

Voltar para a casa com gratidão;

E então dormir com uma prece ao bem-amado em vosso coração e uma canção de louvor em vossos lábios.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Dia do Saci...

O dia do Saci está chegando, minha gente! É no próximo 31 de Outubro! Para comemorar, antecipadamente, publico aqui uma história muito bacana do meu amigo Ricardo Azevedo!

Historia do Saci - por Ricardo Azedo, na voz de Sérgio Mamberti


O Saci



Gente como a gente, habitante da cidade grande, acostumado com luz elétrica, entregador de pizza, televisão, poluição, telefone celular e computador não entende nada de Saci e só vai ver o Saci no dia de São Nunca. Acontece que o Saci é filho do mistério, filho do vento que assobia, filho das sombras que formam figuras no escuro, filho do medo de assombração.

O Saci é uma dessas coisas que ninguém explica. Por exemplo, é muito fácil explicar uma casa. Ela tem tijolos, paredes, janelas e serve para morar. É muito fácil também explicar um cachorro. Pertence à espécie canina, late, abana o rabo, às vezes morde, faz xixi no poste, é amigo das pulgas(bem alguns nem tanto) e serve para tomar conta de casas ou apartamentos. Agora tente explicar o gosto. Por que tem gente que só gosta de Rock Pauleira e tem gente que só ouve musica Clássica ou então Pagode?



Experimente explicar a beleza ou o sentimento, ou as coincidências que acontecem, ou sonhos, ou um pressentimento. Você já teve um pressentimento? Já sentiu que uma coisa ia acontecer e no fim ela aconteceu mesmo? Pois bem, agora tente explicar.

As vezes a gente está calmamente em casa com algo na mão. O telefone toca, a gente atende, bate um papo e quando desliga cadê a coisa que a gente estava segurando? Sumiu! A gente não consegue acreditar. A coisa estava aqui agorinha mesmo! A gente procura em todo canto, xinga, reclama, arranca os cabelos, vira a casa de cabeça para baixo e nada. De repente olha para o lado...Não é possível! A coisa está ali bem na cara da gente. Numa casa de Caboclo, quando isso acontece, as pessoas dizem que foi obra do Saci. Dizem que o saci é que tem mania de esconder as coisas e depois fica escondido dando risada enquanto a gente faz papel de bobo.



É, Saci é um ser misterioso, habitante do mato. Sua aparência é a de um negrinho, pequeno e risonho, de uma perna só, com um capuz vermelho enterrado na cabeça, sem pelos no corpo nem órgãos para fazer necessidades. Costuma ter três dedos nas mãos, tem as mãos furadas e quando quer solta um assobio misterioso e fica invisível. Além disso vive com o joelho machucado e sabe comandar os mosquitos e pernilongos que vivem atazanando a vida da gente.

Ah, tem outra coisa, o malandrinho aprecia fumar cachimbo e consegue soltar fumaça pelos olhos. Quando está de bom humor pode ajudar as pessoas a encontrarem objetos perdidos. Em compensação, adora pregar as piores peças nos outros, faz os viajantes errarem seus caminhos, esconde dinheiro, esconde coisas de estimação, faz vasos, pratos e copos caírem sem motivo e quebrarem, gostar de aprontar com os bichos e é especialista em fazer comida gostosa dar dor de barriga.



De vez em quando, o saci sai girando em volta de si mesmo feito um peão maluco e gira tanto, tanto, tanto, que até levanta as folhas secas e a poeira do chão. Alias, muitos afirmam que ele é a única explicação possível para a existência dos roda moinhos.

O Saci tem vários nomes dependendo da região onde aparece. Pode ser Saci-Sererê, Saci-Pererê, Saci-Sassura, Saci-Sarerê, Saci-Siriri, Saci-Tapererê ou Saci-Triti. As vezes é chamado de Matitaperê, ou Matita-Pereira, ou Sem-Fim, que na verdade são nomes de pássaros. É que em certos lugares dizem que o danado, quando perseguido, dá risada, vira passarinho e desaparece deixando todo mundo de queixo caído.



Mas, o Saci pode ser perigoso. As vezes, chama as criancinhas, canta, dança, inventa lindas histórias e acaba fazendo as inocentes se perderem na floresta. Pode também fazer um caçador entrar no mato e nunca mais voltar para casa.

Para dominar o Saci só tem um jeito. Primeiro, pegar uma peneira. Segundo, esperar um rodamoinho dos fortes. Terceiro, atirar a peneira bem em cima do pé-de-vento. Quarto, agarrar o Saci que vai estar preso na peneira. E quinto, prender o espertinho dentro de uma garrafa. Sem aquele goro vermelho o Saci fica apavorado, geme, choraminga, fala palavrão, implora e acaba fazendo tudo que a gente quer.



É bom morar na cidade, mas, bem que seria legal, um dia, assim derrepente, encontrar um Saci de verdade fazendo bagunça, fumando cachimbo, soltando fumaça dos olhos, virando passarinho e sumindo no espaço. É ou não é?

AZEVEDO, Ricardo. Armazém do folclore. Ed.Ática, São Paulo, 2003.

www.sosaci.org
Sociedade dos observadores de Saci.

www.ancsaci.com.br
Associação Nacional dos Criadores de Saci.

www.criadoresdesaci.blig.ig.com.br
Criadores de Saci

http://eosaciurbano.org/aparicoes/
Aparições do Saci

Brincadeira "Cadê o Saci?" - Por Daniel D'Andrea


Brincadeira "Geografia do Saci" - mapa


Brincadeira "Geografia do Saci" - questões

domingo, 18 de setembro de 2011

El Derecho al Delirio




CRÉDITOS - DECLAMACIÓN: EDUARDO GALEANO
Definición: Para qué sirve la "Utopía" por Fernando Berri
El Derecho al Delirio escrito por Eduardo Galeano
Entrevista a Eduardo Galeano, este trecho está direccionado a los movimientos populares (#Spanishrevolution_ M15 )
Vídeos Originales en el YouTube.com: Eduardo Galeano Sobre #Spanishrevolution_ M15 [1,2,3]

CRÉDITOS - DECLAMAÇÃO: EDUARDO GALEANO
Definição: Para que serve a "Utopia" por Fernando Berri
O Direito ao Delírio escrito por Eduardo Galeano
Entrevista a Eduardo Galeano, este fragmento está destinado aos movimentos populares (#Spanishrevolution_ M15 )
Vídeos Originais em YouTube.com: Eduardo Galeano Sobre #Spanishrevolution_ M15 [1,2,3]

CREDITS - DECLAMATION: EDUARDO GALEANO
Definition: What is use of "Utopia" by Fernando Berri
The Right to the Delirium written by Eduardo Galeano
Interview with Eduardo Galeano, this fragment is addressed to the popular movements (# Spanishrevolution_ M15)
Original Videos in YouTube.com: Eduardo Galeano Sobre Spanishrevolution_ M15 # [1,2,3]






sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Rubem Alves: o Contador de Histórias!

Meu grande amigo Rubem Alves, sempre tão objetivo, sempre tão lúdico, sempre tão sábio!








terça-feira, 26 de julho de 2011

Narradores do Açu

"Se ocê panhá um passarim que nasceu solto e botá na gaiola ele morre."

Espaço marcado pelas mãos dos trabalhadores, que com muito suor dedicaram suas vidas a cuidar do campo é retirado sem dor. Produtores rurais do 5º Distrito de São João da Barra não tiveram tempo de contar suas histórias, só tempo para retirar seus pertences e deixar suas lembranças para trás. Suas terras desapropriadas serão utilizadas para a construção de estaleiros do Porto do Açu, com investimentos avaliados em mais de um bilhão de dólares, valor que não paga uma história de vida. Ana Paula Medeiros

Este webdoc se destina ao registro do que têm a dizer os atingidos pelas desapropriações no 5º Distrito de São Jõa da Barra.RJ.

Foi produzido por alunos do UNIFLU/FAFIC com a supervisão do professor da disciplina Narrativas e Linguagens Jornalísticas, Vitor Menezes.

As imagens contidas no webdoc estão disponíveis no YouTube e/ou foram cedidas.

Campos dos Goytacazes, julho de 2011.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ação Grio - Políticas públicas para o Contar Histórias 1

Este blog nunca teve uma preocupação e/ou um compromisso com a publicação de postagens relacionadas a políticas pública envolvendo o contar histórias, embora, vez por outra, haja aqui alguma escrita relacionada a isso.

Entretanto, por vias de muitas coisas interessantes estarem acontecendo, pretendo fazer uma série de postagens relacionadas ao tema. Começo pela "Ação Grio", uma iniciativa que surgiu a partir das reflexões feitas em torno do projeto "Grãos de Luz", de Lençóis - BA, e que com o tempo ganhou espaço de fomento pelo Ministério da Cultura.

Ação Griô é uma rede de educação e cultura de tradição oral. Faz parte do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura. Objetivo é estimular a ligação entre os educadores e a comunidade.

http://www.acaogrio.org.br

Vejamos o que diz Marcelo Manzatti, atropólogo responsável algumas frentes desse projeto junto ao Ministério.

domingo, 5 de junho de 2011

Civilização e Barbárie

De volta a São Paulo depois de uma viagem cheia de conversas, pessoas, lugares, encontros, coloco-me novamente a refletir sobre o poder e o papel da narrativa na humanização de um mundo para além da coisificação, do ter e da propriedade. Durante a viagem encontrei coisas não esperadas, mas que vieram muito bem ao encontro do que tenho planejado.

Estou lendo 3 livros no momento. "Caim" do Saramago, "Novos possíveis no encontro da Psicologia com a Educação" de diversos autores (é uma coletânea de artigos publicados pela Casa do Psicólogo. Livro emprestado por uma figura muito bacana e especial.) e "Bocas do Tempo" do Eduardo Galeano, livro que comprei numa reles banca de jornal.

Animal esse último. Sempre gostei do Galeano, mas nunca tinha tido oportunidade de ler nada além do "livro dos abraços" e do "memórias do fogo".

Olha que maneiro esse conto (o livro tem uma porção de contos, um por página):




"Enquanto os deuses dormem ou fingem dormir as pessoas caminham. É dia de feira neste povoado perdido nos arredores de Totonicapan e o vaivém é grande.

De outras aldeias chegam mulheres carregando pacotes pelas veredas verdes. Elas se encontram na feira, hoje, aqui, acolá, neste povoado e em outro, como dentes que vão saltando à boca, e conversando vão sabendo das novidades, lentamente, enquanto vendem, pouco a pouco, uma coisinha ou outra.

Uma velha senhora estende seu lenço no chão e alí deita sua mercadoria: defumador feito de cacto, tinturas de anil e colchonilha, algumas pimentas bem picantes, ervas coloridas, um jarro de mel silvestre, uma boneca de pano e um boneco pintado, faixas, cordões, fitas, colares de sementes, pentes de osso....


Um turista recém chegado à Guatemala quer comprar tudo.


Como ela não entende, ele explica com as mãos: tudo. Ela nega com a cabeça. Ele insiste: você me diz quanto quer, eu digo quanto pago. E repete: compro tudo. Fala cada vez mais alto. Grita. Ela, estátua sentada, se cala.


O turista, cansado, vai embora. Pensa: este país não vai chegar a lugar nenhum.
Ela vê como ele se afasta. Pensa: minhas coisas não querem ir embora com você."



Forte, né? Sincero e direto como a vida tem de ser.

domingo, 17 de outubro de 2010

Ensaios sobre o Amor e a Solidão - Parte 1

Soneto de Maior Amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

Vinícius de Morais


Quando eu era pequeno eu queria ser bombeiro. Para ajudar as pessoas e andar sempre num carrão vermelho. Na adolescência eu queria mudar o mundo sendo professor. De uns anos para cá quero entender o que motiva e o que desmotiva, o que move e o que desmobiliza, o que impulsiona e o que frustra. Quero entender um pouco do pensamento humano para talvez entender o que é humanidade.

Numa quinta-feira qualquer de março de 2010, saído da biblioteca Alceu Amoroso, no bairro de Pinheiros em São Paulo, depois de ouvir um sábio Contador de Histórias de nome Ajax narrar trechos da trilogia Tebana, estava inquieto. Decidi-me por ir até a Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, Avenida Paulista, para buscar um leitura que eu ainda não tinha bem certo o que de fato era.

Perambulei por 4 horas. Tirei livros da estante, li parado nos corredores, li no chão, li sentado. Entre tantos livros, encontrei um título famoso da obra do Dr.Flávio Gikovate: "Ensaios sobre o Amor e a Solidão". Era o que eu precisava. Desde então é minha obra de cabeceira.

Vou ler alguns trechos que julguei interessantes. Gravação amadora, só pelo conteúdo. Primeiras páginas do capítulo 1. Clique nas imagens para ampliar.

Páginas 15 à 17



Páginas 18 à 23






terça-feira, 28 de setembro de 2010

Inquiribilidade em elóquio afetivo

medo e ousadia;
coragem e vertigem;
sabendo eu da sua parte,
a tragédia, vida, em arte,
quis mais da metade
que saber afinidade.

Pena minha ou descuido,
nascendo sem pedir,
morrendo sem querer,
tecia na ilusão do hoje
as memórias do amanhã.

Agora faço porém
Sem força, além.
Deixo o brado brando
e passo ao brado bravo:
SERÁ DA NOSSA SORTE, ENGENHO OU VERDADE,
UNIR PROSA E VERSO, MINHA E TUA VONTADE?